Órfã que se tornou rainha: a providência silenciosa de Deus age onde menos se espera
Entre as páginas do Antigo Testamento, poucas histórias mostram de forma tão dramática a fidelidade de Deus ao seu povo quanto a de Ester — ou Hadassa, seu nome hebraico, que significa “murta”. Ela não era sacerdotisa nem profetisa, mas uma jovem judia exilada, criada por seu primo Mardoqueu. Levada ao palácio do rei Assuero (Xerxes I), tornou-se rainha por uma combinação de circunstâncias que, aos olhos da fé, revelam o dedo invisível do Criador. Quando Hamã, o conselheiro orgulhoso e antissemita, tramou o extermínio de todos os judeus do império, a situação parecia irreversível. Mas, como nos lembra a Confissão de Augsburgo, os santos nos são dados para que demos graças a Deus por sua graça, para que fortaleçamos nossa fé com seus exemplos e para que imitemos sua perseverança. Em Ester, vemos tudo isso: gratidão, porque Deus usou sua beleza e posição — dons comuns, porém consagrados — para salvar uma nação. Exemplo, pois ela, sabendo que poderia morrer ao se apresentar ao rei sem ser chamada, declarou: “Se eu perecer, pereci” (Et 4.16). Imitação, porque aprendemos que a verdadeira coragem não é ausência de medo, mas fé que age mesmo diante da morte. O resultado foi a derrota de Hamã, sua execução na própria forca que erguera para Mardoqueu, e a ascensão deste ao cargo de primeiro-ministro. Mais importante ainda: o povo judeu foi preservado — e com ele a linhagem da qual nasceria o Messias, Jesus Cristo. Assim, em meio a banquetes, intrigas palacianas e leis persas, Deus cumpriu seu pacto. Ester não menciona o nome de Deus no livro, mas sua história inteira é um grito silencioso de que o Senhor nunca abandona os seus. Que ela nos ensine a confiar na providência, mesmo quando os céus parecem calados.

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