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Boletim Homilético - 1º Domingo depois da Epifania — Batismo de Nosso Senhor

 


Data: 11 de janeiro
Leituras:

  • Antigo Testamento: Isaías 42:1–7

  • Epístola: Atos 10:34–38

  • Evangelho: Mateus 3:13–17


Introdução — O Filho que desce às nossas águas

O Batismo de Jesus marca o início público de sua missão. Ele não começa com um milagre espetacular, nem com palavras duras, mas descendo às águas onde estavam pecadores. O Filho eterno de Deus se coloca na fila, entra no rio e se identifica conosco. Este domingo nos convida a olhar para Cristo não como alguém distante, mas como aquele que assume nossa condição para nos salvar. Aqui, o Evangelho não começa com o que fazemos, mas com o que Deus declara e realiza em seu Filho amado.


Comentário Bíblico — O Servo ungido para salvar

Em Isaías 42, Deus apresenta o seu Servo: escolhido, sustentado, cheio do Espírito, enviado para trazer justiça com mansidão. Não é um libertador barulhento, nem um juiz impaciente. Ele não quebra a cana rachada nem apaga o pavio que ainda fumega. Esse Servo é Cristo, que vem para restaurar o que está frágil e trazer luz a quem vive em trevas.

Em Atos 10, Pedro anuncia que Deus não faz acepção de pessoas e que Jesus foi ungido com o Espírito Santo e com poder. Ele passou fazendo o bem, libertando os oprimidos, porque Deus estava com ele. A boa notícia não é sobre mérito humano, mas sobre a ação graciosa de Deus em favor de todos.

No Evangelho, Jesus insiste em ser batizado por João. Ele não precisava de arrependimento, mas entra nas águas para cumprir toda a justiça. Ali, o céu se abre, o Espírito desce e a voz do Pai declara: “Este é o meu Filho amado”. Antes de qualquer obra, antes da cruz, Jesus já é publicamente afirmado como o Filho em quem o Pai se agrada. Isso é Evangelho puro: Deus age primeiro, declara antes, ama antes.


Aplicação à Vida — Quando Deus entra na nossa história

O Batismo de Jesus nos lembra que Deus não fica à margem da nossa vida. Ele entra na água turva da nossa história, no meio do nosso pecado, medo e cansaço. Cristo se solidariza com quem carrega culpa, com quem se sente fraco, com quem já não tem forças para “dar certo”.

Vivemos pressionados a provar valor, a justificar nossa existência pelo desempenho, pela moral ou pela aparência de fé. Mas aqui ouvimos outra voz: “Tu és meu Filho amado”. Em Cristo, essa palavra nos alcança. Somos justificados não pelo que fazemos, mas pela graça, mediante a fé. Isso não nos afasta da vida cristã; pelo contrário, nos devolve a ela com esperança.

Quem foi alcançado por esse Cristo aprende a viver de outra forma: não para conquistar o amor de Deus, mas porque já foi amado. Em meio ao sofrimento, há consolo. Em meio ao pecado, há arrependimento e perdão. Em meio à vocação cotidiana, há sentido. A vida cristã nasce dessa água onde Cristo entrou por nós.


Oração Breve — Nas águas da graça

Senhor Jesus Cristo,
Tu entraste nas águas por nós e tomaste sobre ti nossa condição.
Quando estivermos cansados, lembra-nos do teu amor declarado.
Quando cairmos, conduz-nos ao arrependimento e ao perdão.
Sustenta-nos pela tua graça e dá-nos esperança para viver.
Amém.

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