Introdução — O Deus que se aproxima
Ainda dentro do tempo do Natal, a Igreja contempla o mistério que sustenta toda a fé cristã: Deus não permaneceu distante, mas veio ao nosso encontro. O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós. Este domingo nos chama a olhar para Cristo como a revelação plena da graça de Deus, que entra na história humana para salvar, consolar e dar esperança real a pecadores cansados.
Comentário Bíblico — A graça que nos reveste e nos chama pelo nome
Isaías anuncia um povo vestido com vestes de salvação. Não são roupas conquistadas por mérito, mas recebidas como dom. A imagem é profundamente evangélica: Deus cobre a vergonha, restaura a dignidade e faz de seu povo um sinal vivo de sua fidelidade no mundo.
Paulo, em Efésios, amplia essa visão ao mostrar que toda bênção espiritual já nos foi dada em Cristo. Antes de qualquer decisão humana, antes mesmo da nossa resposta, Deus nos escolheu na graça. A salvação não nasce da nossa força, mas do amor eterno revelado em Jesus.
No Evangelho de João, esse amor ganha rosto e corpo. O Verbo eterno se fez carne. A glória de Deus não se manifesta em poder distante, mas em graça e verdade oferecidas a pessoas reais, frágeis e necessitadas de perdão. Em Cristo, não recebemos lei que acusa, mas graça sobre graça.
Aplicação à Vida — Quando Deus habita nossas fragilidades
Na vida concreta, muitas vezes nos sentimos nus, expostos, insuficientes. Carregamos culpas, frustrações e medos que tentamos esconder. O Evangelho deste domingo nos lembra que Deus não espera que nos vistamos sozinhos. Em Cristo, Ele mesmo nos cobre com sua justiça.
A fé cristã não é fuga da realidade, mas encontro com um Deus que entra nela. Jesus conhece nossas dores, nossas contradições e nossos pecados. Ainda assim, Ele permanece conosco. A vida cristã nasce desse consolo: não vivemos para conquistar o amor de Deus, mas porque já fomos alcançados por ele.
Isso também redefine nossa vocação. Vestidos da graça, somos chamados a viver no mundo como testemunhas desse amor, não por superioridade moral, mas como gente perdoada que aponta para Cristo.
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