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Boletim Homilético — Domingo da Transfiguração - 15 de fevereiro


1. Introdução

Neste domingo, a Igreja nos convida a subir o monte com Jesus. Celebramos a Transfiguração de Nosso Senhor, um evento único e glorioso registrado no Evangelho. Não se trata de uma fuga da realidade ou de um espetáculo para entreter os discípulos, mas sim de um momento profundo onde o véu da humanidade de Cristo se abre por instantes, deixando transparecer sua glória divina. O tema central de hoje é a revelação de quem Jesus verdadeiramente é: o Filho amado de Deus. Esta revelação, no entanto, não é um fim em si mesma. Ela acontece para nos fortalecer na fé, especialmente quando, descendo do monte, nos deparamos com as cruzes e os sofrimentos da vida cotidiana.


2. Comentário Bíblico

As leituras de hoje nos conectam de maneira profunda. No Antigo Testamento (Êxodo 24:9-18) , vemos Moisés, Arão e os anciãos subindo ao monte Sinai. Eles contemplam a glória de Deus e depois Moisés adentra a nuvem, permanecendo quarenta dias em comunhão com o Senhor. Essa nuvem, na Bíblia, é um sinal da presença protetora e, ao mesmo tempo, velada de Deus. É um antegozo do que veremos no Evangelho.

No Evangelho (Mateus 17:1-9) , Jesus leva Pedro, Tiago e João a um alto monte. Ali, diante deles, sua aparência se transforma: seu rosto brilha como o sol e suas roupas se tornam brancas como a luz. Moisés (representando a Lei) e Elias (representando os Profetas) aparecem e conversam com Ele. A cena é grandiosa, mas o centro não é o espetáculo, e sim a voz vinda da nuvem: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado. Ouçam-no!”.

A nuvem que agora cobre a cena é a mesma do Sinai, mas aqui ela aponta para o Filho. A ordem é clara: ouvir a Jesus. Pedro, assustado e maravilhado, quer construir tendas e perpetuar a experiência. Ele quer ficar no monte. Mas Jesus logo o trará de volta à realidade. O momento de glória foi um presente, mas a missão deles estava no vale, onde a multidão e o sofrimento os aguardavam.

Segunda Leitura (2 Pedro 1:16-21) é um testemunho pessoal do apóstolo. Anos depois, ele escreve: “Não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade”. Pedro se lembra da Transfiguração como um fundamento sólido da sua fé, um momento que confirmou a palavra profética e que agora serve de luz para a igreja, "como uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie".


3. Aplicação à Vida

A Transfiguração nos ensina algo fundamental sobre a vida cristã. Nós também, como Pedro, Tiago e João, passamos por momentos de "monte" e momentos de "vale".

Os momentos de monte são aqueles em que sentimos a presença de Deus de forma mais intensa: um culto abençoado, uma oração sentida, uma resposta a uma súplica, uma paz que excede todo entendimento no meio de uma crise. São momentos bons, que nos renovam. É tentador querer ficar ali, construir um altar e isolar-nos do mundo. Mas Deus não nos chama para uma vida monástica de êxtase permanente. Ele nos dá esses momentos como combustível para a caminhada. Servem para fortalecer nossa fé e nos lembrar quem está no controle.

Os momentos de vale são a nossa rotina: o trabalho, as dificuldades no casamento, a criação dos filhos, a doença, o luto, as decepções. É no vale que a fé é testada. É ali que as perguntas surgem e que somos tentados a achar que Deus nos abandonou. Mas a voz do monte ecoa no vale: "Este é o meu Filho amado. Ouçam-no!". Não importa o tamanho do vale em que você está, a ordem é a mesma. Ouça a Cristo. Ouça suas promessas nas Escrituras. Ouça seu perdão que apaga o pecado. Ouça sua voz que diz "Levante-se, não tenha medo".

A Transfiguração não foi uma fuga da cruz, mas uma preparação para ela. Pouco depois, Jesus iniciaria sua jornada final para Jerusalém e a crucificação. A glória revelada no monte era a certeza de que o sofrimento do Calvário não teria a última palavra. Para nós, isso é puro conforto. Nossos sofrimentos presentes, por mais reais e dolorosos que sejam, não são o fim da história. A mesma glória que brilhou em Cristo, um dia brilhará em nós, quando ele nos transformar à sua semelhança.


4. Oração Breve

Senhor Jesus, que no monte revelaste tua glória para fortalecer a fé dos discípulos, ajuda-nos a ouvir a tua voz em meio aos vales escuros desta vida. Quando o medo apertar, lembra-nos que tu estás conosco. Quando o pecado nos pesar, estende a tua mão e levanta-nos. Sustenta-nos com a certeza da tua vitória, até o dia em que veremos a tua glória face a face. Amém.

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